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quarta-feira, 18 de maio de 2011

18 de maio de 1992



Como eu esperei pelos meus dezoito anos, como eu vivi os meus dezoito anos.
Foram 365 dias de intensidade, de mudanças, do ingresso na faculdade, da saída do colégio, do tchau aos colegas, do não adeus a Zé, do tchau a Jacobina, do estou em Salvador.
Ano passado, um dia como esse, chuvoso, friozinho, triste. Foi um dos aniversários mais tristes que já tive. Não imaginava que estar fora de casa seria tão ruim. Lembrava-me do ano de 2008, quando lá em casa, eu e alguns amigos brincávamos comendo uma pizza, juntamos os sofás e ficamos amontoados. Quando tudo terminou, eles foram embora, eu chorei sentado na cadeira da varanda e um deles gritou: Te amo, sacaninha!
Fabi completou baixinho (mas eu ouvi) – Quer apostar que ele ta chorando? Foi aí que o silêncio tomou conta e eu tive vontade de ir lá abraçar tudinho.
Comemorar dezoito anos pra um homem é muito bom, diferente. Toda idade a gente só faz uma vez, mas ficar maior de idade, poder ter carteira de motorista e ouvir o amigo dizer que já pode ir preso, é diferente, é especial. Talvez por isso fiquei me devendo um dia mais alegre, um dia digno dos dezoito anos.
Tirando isso, foi tudo do jeito que eu não planejei, porque se fosse combinado, não seria tão bom. Vou pedir licença a vocês e vou contar outra história. É pequena.
Eu, Daniel e Iago Souza, o tripé, a tríplice aliança que a gente tinha quando menorzinho. Era pra cima e pra baixo os três juntos, até nos dias que todos estavam num só lugar, menos a gente. Final de ano, acontecia o Bomba Light Mix no Fiesta com Estakazero. Como a gente era novo, ficamos de fora. Foi aí então que a gente sonhando, fizemos uma promessa que no ano de 2010, quando enfim tivéssemos dezoito anos, iríamos pra Caruaru, conhecer o maior e melhor São João do mundo. Caruaru não deu certo, mas Pé de Serra substituiu a altura, porque foi uma viagem, uma aventura e tanto.
Com dezoito anos também passei a ser obrigado a votar, a exercer meu exercício de cidadania e me interessei mais pela política. Me senti responsável indiretamente pelo sucesso da minha candidata a presidência Marina Silva. Com dezoito anos começo o curso de Direito, me apaixono pelo Direito. É muita coisa... Vou lembrar pra sempre.
Hoje então, completo dezenove anos, chegou mais uma primavera, mais um ano vivido, mais uma etapa cumprida. Hoje é meu aniversário, completo dezenove anos. Dia diferente, com surpresas boas. Um feliz aniversário mais caloroso na faculdade, um olhar já diferente. Na era da foto no Orkut indicando o seu aniversário, uma mensagem do infinity pré, uma ligação, um e-mail, faz muita diferença, fez muita diferença.
A ligação mais bonita que recebi veio lá de Jacobina, veio dos meus padrinhos, um casal que merece uma página de homenagem neste blog. Sempre recebi lindos presentes. Carrinhos, motinhas, camisas, o que há de melhor. Hoje “Dindo” lamentou a não presença em corpo, mas as palavras ditas, que ele deixava claro que era de coração, nem precisava dizer, porque eu sentia. Foi de arrepiar! Aos meus amigos das mensagens, dos Nicks de MSN, do Orkut, da faculdade, de infância, da Cônego, do Yolanda, das festas, dos forrós, do Saia Rodada, do Pernambuco, Paraíba, primos do Rio Grande do Norte, tias que estão longe, o meu muito obrigado.
Vamos em frente... 19 anos – É só o começo! Eu não nasci pra ser mais um. Não estou na terra pra brincadeira!
Vem comigo...


[Na foto estou com dois grandes eternos amigos, aqueles pra vida toda - Me mandaram mensagens emocionantes. Eu forçava pra parar, pra conseguir enxergar, mas as lágrimas não deixavam]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Eleições 2012 vai ser animada


Como sou de fases, a lua está virada pra uma eleição com muita zuada, animação e vitórias. Pra me acompanhar onde quer que vá, tentarei com muito esforço fazer um som pra poder ajudar os meus candidatos.
Caldeirão Grande é Paulo Bezerra -
Capim Grosso é Drª Lídia -
Caém - Nilton Matos
Serrolândia - Gildo Mota

Jacobina a gente decide daqui pro fim do ano, mas vamos pra ganhar!

Paredão Equipe Light - Eleições 2012 vai ser animada!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Osama não morreu


Ando meio envergonhado com as notícias que tomam conta de toda a programação jornalística do mundo. A morte do terrorista Bin Laden.
Primeiro eu quero ratificar minha posição quanto a essa situação. Osama não morreu!
É importante lembrar que os Estados Unidos da América está em campanha eleitoral e o popular Barack Obama caiu de rendimento no que ele tem de melhor, simpatia e popularidade.
Políticas públicas inexistentes, empregos e melhoria no caos da saúde norte americana foram apagadas com a morte do homem mais procurado do mundo.
Depois de fazer uma rede social na internet e interagir diretamente com o público jovem, nada melhor – pra Obama – e pra falsa paz social, liquidar a vida do terrorista, pra poder enfim, alavancar a campanha política que se aproxima. Os republicanos tinham até sábado a eleição presidencial em suas mãos. Não contavam com essa estratégia fantástica dos Democratas. O povo americano, exaltado, comemora a morte do seu maior inimigo em praças e chafarizes, gritando pela paz que não veio com a tragédia. A pseudo morte de Bin Laden, através do sensacionalismo da mídia, só vai revoltar ainda mais os Mulçumanos e atiçar uma guerra que eu vou ter o desprazer de ver, ao invés de estudar nos livros de história.
O presidente Barack Obama é um novo herói americano, contrariando alguns antigos admiradores (eu), e endeusado pela Rede Globo e pelos ignorantes que se esqueceram que ele traria a paz dos EUA, a paz mundial.
É importante atentar para alguns aspectos que matuto aqui sozinho e quero dividir com vocês. Se o rei do pique-esconde tivesse sido achado pelas forças armadas americanas, o governo faria questão de mostrar o seu corpo, ele deformado, executado, e não respeitar os preceitos religiosos, banhar o corpo do tal, enrolar num pano branco e jogar no mar. É muito estranho.
Não quero defender o terrorismo, só quero como estudante de Direito, acreditar na justiça, na defesa. Só quero como um fã da paz, evitar a guerra. Só quero como um sonhador, mudar esse jeito podre de fazer política.

Segunda feira de Carnaval


Atualmente estou domiciliado na cidade de Salvador, a cidade do maior e melhor carnaval do mundo para os turistas endinheirados, doidos por um dread nos cabelos lisos e amarelos.
Como já me chamam de matuto, tabaréu, roceiro, caipira, resolvi fazer jus aos meus lindos apelidos. Peguei meu mói de roupa e fui pra Jacobina.
Passar uma semana longe do calor soteropolitano e dos caprichos carnavalescos de Sara era o que mais queria. Na quarta feira já sentia o cheiro de aventura, de festa no interior, de Várzea do Poço, das meninas, dos meus amigos. Papai e mamãe foram pra Natal ver Vovô que não andava nada bem e também descansar de uma cirurgia que Dª Lícia havia feito. Deve ser até pecado dizer, mas como foi bom meus pais viajarem, viu?
Sábado e domingo fui com os caras e algumas amigas pra Várzea do Poço. Lá tem um carnaval pequeno, mas gostoso. As marchinhas de antigamente, meu grande professor e amigo Márcio, Dips, Itã, um clima muito amigável, familiar. Na segunda feira de carnaval ficou certo de acordar cedo e levar Gi na roça.
Domingo a gente tinha excedido um pouco, o que me fez dormir até meio dia, revoltando Gi de uma forma poucas vezes vista. Depois de acordado, liguei pra Dips e fomos pra o lado de Piritiba, um distrito chamado Araújo, levar Gi e Dona Júlia, a senhora sua mãe. Levar Gi pra roça era a melhor coisa que me podia acontecer. Sara em Salvador, papai e mamãe em Natal, feijão pronto na geladeira, só faltava deportar a manda chuva. A distância de Jacobina pra o nosso destino foi mais de cem quilômetros. Uma distância assustadora, mas a gente teria que voltar no mesmo dia, afinal de contas, Canindé faria um show logo mais a noite e nossa presença seria indispensável. Oh que mentira! A gente queria mesmo era raparigar! Depois de chegar ao destino, não era elegante sair imediatamente. Procurando problema, Gi me chama pra ir à casa de João Cruz, um primo dela, pegar um tanque de Eternit. Na camionete tinha eu, Dips, Gi, D. Júlia e um gordinho que não sei o nome. No retorno a casa, beirava às 4 da tarde, o sol ia ficando fraco, as nuvens iam se fechando, o tempo tava passando. Aconteceu o pior! O pneu dianteiro fura e começa toda a agonia. Sem macaco pra ajudar a trocar e o pneu reserva preso por uma trava insuportável, caminhei mais de um quilômetro atrás de ajuda. Ao chegar a casa com uma cara de cachorro pidão fui recepcionado por um povo estranho que nada fez pra ajudar. No retorno passei por outra casa, no alpendre eles brincavam de cartas e ficaram me olhando, desconfiados com a presença de um estranho. Eu ficava pensando no caminho: Meu Deus! Tomara que quando eu chegar já esteja tudo resolvido e eles me peguem no caminho. Dips pensava de lá: Tomara que Keu traga um macaco bom e um borracheiro. Antes de chegar ainda encontrei com Dona Júlia e Gicélia cansadas e sem saída.
Chego ao carro e junto com Dips procuro uma alternativa pra solucionar o problema. Além do pneu furado nós tínhamos a companhia desse gordinho que não parava de rir do nosso desespero e perguntou:
- Posso contar um sonho?
- Conta, boy!
- É que eu sonhei ontem que vocês não iam embora tão cedo, ficavam aqui até quinta feira. (risos – muitos risos)
Vocês sabem como gordo rir, né? Ele bota a mão no peito, inclina pra trás, abre a bocona e não pára nem com o diabo. A gente também ria, mas não era do que ele contava, era pra não chorar. Dips ainda disse que merecia ser contado aqui no blog.
Pra nossa sorte, tínhamos em mãos um saco de bala. Foi quando eu sugeri pro rapazinho.
- Ei peixe, por que você não aproveita e chupa umas balinhas, pode demorar aqui.
- Pode mesmo? Tava doido pra pedir...
Acreditem! Eram mais de cem balas no saco e ele botava de monte na boca. Só assim pra ele não falar mais nada e deixar a gente em paz, pra gente poder sonhar com o nosso carnaval.
Escureceu e finalmente chegou a solução. Aquele que jogava cartas e olhava desconfiado seria mais adiante o salvador do nosso carnaval. Um macaco de camionete, uma serra, uma lanterna e disposto a nos tirar daquele lugar. Depois de feito o serviço, ainda estava sem acreditar que iria pra Várzea do Poço, que iria dormir na minha casa. Mais cem quilômetros pela frente, chegamos a Jacobina, um bom banho pra reanimar e uma boa companhia pra aproveitar a ultima noite do carnaval da cidade. A noite foi fechada com chave de ouro ao som de Canindé, uma boa vodka e amigos. Na quarta feira fui pegar Gi pra voltar pra casa.
Agora pergunta a Dips se ele quis ir....
Só se tivesse doido!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quincas e Eu



Sempre fui apaixonado por animais, exceto gato. Tenho um cavalo, cinco cágados, já tive coelho, passarinho, sapo, bode, vaca e algumas lagartixas. Todos tenham certeza muito especiais e dignos de histórias aqui no blog, principalmente Maribondo, meu cavalo.
Faltava àquele grande amigo da gente, o mais comum, o meu sonho de consumo. Morava na Cônego Samambaia, a melhor rua do bairro do leader, de Jacobina, e lá era inviável criar um animal de grande porte. Em 2008, quando mudamos, sem a aprovação de papai, pra uma casa maior, com quintal e espaço pra criar um cachorro, foi que me apressei e pude correr atrás do meu Quincas. O nome do tal eu já sabia, seria Quincas Borba, uma homenagem a um livro de Machado de Assis, um dos poucos que li. Chamei meu amigo Itã e fomos procurar um rotweiller pela cidade. Passamos pela casa do agricultor e vimos um casal bonito, mas não tinha sentido aquela química que via assistindo “Ursinhos carinhosos”. Fomos então até a casa de Orlando da barraca da Matriz, dono de uma bela fêmea que tinha cruzado com outro cão lindo.
Seria aquele ali! O mais agitado, doido pra sair e ter um novo lar. Depois de acertar detalhes burocráticos, ia saindo com o meu Quincas nos braços, foi quando a dona mandou voltar, dizendo que ele ainda era muito novo pra ir. Decepcionado, voltei pra casa.
À noite eu fui dar uma caminhada pelo calçadão, pensando na vida, nas mudanças que eu tava passando, fazendo planos pra o próximo ano e me sentia na companhia de um cachorro amigo. Eu me sentia na verdade um louco. Na faixa de pedestre da farmácia Vilas Boas pra a Vilas Boas Celular eu parei, olhei pra baixo e me abaixei pra botar ele no colo. Foi quando caí na real e vi que estava sozinho. Envergonhado, aproveitei o embalo e dei uma coçada nos pés.
No outro dia, agoniado querendo as coisas do meu jeito e aproveitando a boa vontade de papai, aprovando a idéia do cachorro, voltei à Casa do Agricultor e comprei o macho do casal que tinha visto no dia anterior.
Fui pra casa com o danado e botei pra caminhar, brincar, correr. Dei um belo de um banho e fiquei olhando pra cara do tal, me perguntando se o nome continuaria Quincas, já que o outro já tinha sido. Papai começou a chamar de Bob, Bob, Bob. Isso me deixou mais aliviado, porque nome comum eu não botaria, foi quando eu chamei de Quincas e ele olhou. Eu sei que foi mera coincidência, mas o que importa é que ele olhou.
Um rotweiller eu já tinha, Quincas era o nome, só faltava ser bravo, pra poder descontar as carreiras que Vinícius me dava com Mike (Cachorro dele) quando a gente brincava na rua. A idéia não agradou ao povo lá de casa, porque entra muita gente e poderia causa várias queixas.
São vários os passeios que faço com o bonitão, que não gosta de andar de carro, mas sim caminhar, vendo o povo, os carros, os amigos, marcando território em todo lugar, inclusive nos meus pés de vez em quando. O mesmo trajeto que fiz quando achei que tinha ele, faço quando estou em Jacobina e sempre lembro aquela maluquice.
Hoje ele tem três anos, lindo de morrer, amigo dos meus amigos. O cachorro mais manso, brincalhão e descarado que eu já vi. Pelo tamanho, pela raça discriminada, e pala cara de malvado.
A real razão pelo texto foram dois sonhos seguidos que tive essa semana. Sonhava ele morrendo e não tinha coragem de contar a ninguém. Imaginava situações mirabolantes pra poder substituir e ninguém perceber que ele tinha morrido. Foi quando eu acordei meio maluco ainda e fiquei pensando. Pensava no jeito que eu trato ele e do jeito que ele é tratado pelos outros. Pelos outros é bem melhor.
Me deixa confuso, pra não dizer magoado, quando eu subo as escadas da cozinha e ele caminha em direção ao quartinho, como se já estivesse indo pro castigo.
É meio aquela questão do pai amigo ausente. Eu sou assim com ele. Como ele é novinho e ainda parece uma criança, é tempo de aproveitar, correr atrás do tempo perdido.